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Os passos para criar uma marca desportiva em Portugal. Da ideia à realidade.

Olá a todos! O tópico de hoje será diferente do normal, não será tanto relacionado com uma temática em específico, mas sim referente a uma temática global, já tinha estas palavras na gaveta há algum tempo, mas concerteza, quanto mais o tempo passa, mais apuradas ficam, o tempo é amigo da experiência e por consequência, amigo das coisas mais certas e maduras. O tema de hoje é quase como uma retrospectiva, um resumo, de uma "aventura radical" que motivada por diversos aspectos, revelou uma caminhada muito rica em experiências, umas boas, outras más, outras "mais ou menos", mas de certo uma aventura que me acabou por ensinar imensas coisas quer a nível pessoal quer a nível profissional.Quando decidi criar a Trendout Enjoy Life, tinha uma visão muito clara do que pretendia, conseguia imaginar a filosofia da marca e a sua aplicação na vida das pessoas, até porque o conceito da marca, deriva de uma capacidade ou de uma vontade interna das pessoas, quase como uma motivação/necessidade que temos de nos refugiarmos em certas atividades, em busca do nosso equilíbrio através do desporto e acima de tudo aumentar o nosso contacto com a Natureza. Percebi que uma necessidade minha, seria a de muitas outras pessoas, e, porque não poderia eu, promover isso mesmo? 

Entendo que a Trendout acabou por ser uma motivação para mim próprio e que filosoficamente acabou por ser aceite de uma forma positiva por todas as pessoas que partilham desta tendência de fazer desporto ao ar-livre, sempre com o objectivo de atingir determinado grau de bem estar, seja a solo, em família ou entre amigos. No meio de todas as ideias e sonhos que tinha, estávamos em 2014, e eu procurava um nome que ficasse bem no ouvido e que fosse fácil de dizer, que tivesse algum impacto, mas acima de tudo, que estivesse relacionado com o que pretendia transmitir com a marca. Não imaginaria que em 2019, passados quase 5 anos, estaria a escrever este texto com tanto para dizer e com tanta aventura por terrenos e mares desconhecidos, com tantos encontros imediatos, cheios de piratas, naufrágios, ilhas paradisíacas, passagens por alguns desertos, mas ainda assim, com entusiasmo para dizer que me sinto bem em ter tomado a decisão de deixar um emprego e ser empreendedor mais uma vez. Sim, porque a Trendout não foi o meu primeiro projeto, existiram outros, desde muito novo que gosto de inventar coisas, muitas delas correm bem, outras nem por isso.

Em parte, é esse o motivo que me faz escrever este texto, "falhar" é um termo assustador, ficamos com as mãos suadas e com um nó na garganta quando imaginamos que podemos falhar, desiludir os nossos pais, os nossos amigos, a nós próprios. Sinceramente eu quando começo os projetos nunca tenho muito medo de falhar, não penso nisso simplesmente. Talvez o entusiasmo de me aventurar no desconhecido, me desperte mais curiosidade, mais vontade de percorrer aquele percurso, em parte, é uma sensação muito semelhante ao pegar numa prancha e entrar no mar mesmo tendo um friozinho na barriga, ou uma pequena voz a dizer "não entres hoje" - no entanto, e contra tudo isso, lá vamos nós em busca daquelas sensações espetaculares, que produzem uma série de substâncias químicas no nosso corpo e que nos fazem sentir bem, felizes. É essa a recompensa. De facto a maior recompensa é quando atingimos o objectivo que estava bloqueado pelo medo, a parede que impede a ação. Não devemos ter medo de falhar e não devemos reclamar por não termos tentado, devemos entrar no barco, calçar as sapatilhas e entrar pelo pinhal dentro, fazer o nosso melhor tempo, bater o nosso próprio record.

É claro que para termos um bom resultado temos sempre  que ter algum tipo de comparação, existem outros concorrentes, que querem ganhar, todos lutamos pela vitória, uns têm mais recursos que outros, mas ainda assim a vontade é comum, vingar no mercado. Na sociedade existe uma ideia ilusória, de que empreender é cool, que é fácil seguirmos os nossos sonhos, que podemos ter apenas um portátil ligado ao mundo, e com vontade, o objetivo será concretizado. Por experiência própria, considero que há muita ilusão em torno desta temática e é necessário haver alguma racionalidade que deve ser ensinada por quem se intitula como mentor de negócios ou de projetos, porque na verdade existem muitos indivíduos que nunca criaram nenhum projeto próprio, que vende-se uma única unidade. A teoria está situada num ponto distante da prática, e é necessária muita força interna para suportar todas as incertezas diárias adjacentes à criação de um negócio. Não quero com isto dizer, que não devemos tentar, ouvir palestras motivacionais, isso é importante, mas o factor decisivo é existir uma paixão de quem cria, a resolução de uma necessidade ou problema, porque sem isso, será mais difícil.

Em Portugal não é simples criar marcas, mas não é impossível, eu acredito que com trabalho há sempre espaço no mercado, temos de terminar com a ideia que apenas as marcas internacionais são boas, e devemos olhar mais para o que podemos fazer nós próprios, na verdade, será sempre melhor para a economia haver marcas portuguesas que consigam exportar para os mais diversos países. Tarefa árdua essa, mas somente com a ajuda do consumo interno poderemos alavancar o nosso potencial.

Um dos factores em que acredito, é o Design, é certo que a minha formação tem essa base, mas realmente acredito que o Design tem ajudado a Trendout a posicionar-se num mercado competitivo, cheio de marcas internacionais e com muito pouca abertura para marcas portuguesas. Colocando algum grau de empatia neste assunto, consigo entender que pode existir algum receio de investir em marcas novas e portuguesas, mas, se continuarmos com este mindset, será pouco produtivo o nosso futuro. Por outras palavras, talvez o caminho seja outro, não começar pelas entidades que já estão há muito tempo no mercado, mas começar pela mudança de mentalidade do consumidor, começar por nós, devemos ter a capacidade de avaliar a nossa própria decisão de compra, o porquê de escolhermos certas marcas, qual a mais valia, quais os valores e história de determinada instituição. Pessoalmente, e talvez por ter a experiência de ter decidido tentar criar algo novo, tenho consciência que a minha visão mudou, olho com outros olhos para o Mundo à minha volta, satisfeito por ter enfrentado o receio de falhar e por considerar que tentar é bem mais importante. Se tens um sonho na gaveta, não deixas de pensar nele e sentes genuinamente que o queres, calça as sapatilhas, e corre atrás! 

"A vida é uma filosofia, pratica-a."

 

 

 

Abraços para todos os leitores e clientes,

Romeu Cristóvão


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